
Ela sempre soube, mas preferiu ignorar os antigos manuais.
Rasgou os argumentos de uma solidão conhecida e maquiou outros significados para ir além.
Relevou algumas descrenças e desmascarou as ilusões.
O plano parecia dar certo e torná-lo perigoso era empolgante.
Enquanto desafiava a loucura, dissimulando os desejos, outros diziam que ela havia perdido a noção do risco.
Aprendeu o descompasso de um ritmo desconhecido e atormentou o silêncio da tristeza com um riso incontido.
Jogou com algumas cartas camufladas e intimidou as razões avessas, seduzindo o vazio de uma noite monótona.
O que ela não havia notado, ainda, é que o medo de amar estava fora de moda.
A solidão já não voltara pra casa há dias e as letras de uma canção antiga tinham, agora, pronuncias de amor.
Era tarde demais para sair em busca de outras explicações.
Ela estava apaixonada.